Manifesto "Hyggelig"
- Palavras de Sol

- 16 de fev. de 2021
- 2 min de leitura
Folheio uma revista.
"Melhor é sempre possível."
"Do que precisamos para ser felizes?"
"Viva a vida intensamente."
Estes títulos entram pelos olhos dentro. Não pedem autorização. Repetem-se em cada mês.
As revistas femininas vivem de títulos marcantes. É negócio. As intenções são boas. Não digo o contrário.
Penso em todas as leitoras que leem os artigos. Esperançadas. E penso na sociedade que temos. Sem Esperança.
Vivemos dias loucos.
Portugal impreparado para as Pessoas.
E Pessoas preparadas para "obedecer". Por necessidade. Por medo. Resume-se muitas vezes a medo. De perder o que têm. Mesmo quando o que têm se resume a uma mão cheia de nada.
Assim andamos.
Horários rígidos. Correria para a creche. Infantário. Escola. Correria para casa. Dar banhos. Fazer jantares. Lancheiras para o dia seguinte.
Caídos no sofá exaustos. De logísticas. De politiquices. De rodriguinhos. Conexão ao minuto. Em tablets. Fala-se por Facebook. Vê-se amigos no Instagram. Põe-se um like. Faz-se um comentário. Estamos vivos para os outros. Reconforta-nos. Perde-se a conta às redes. Ditas sociais. Houvesse redes de baloiço em árvores frondosas e pés na terra.
Volto aos tablets. E penso em tabletes. De chocolate negro com amêndoas. Bolinhos de canela saídos do forno. Velas queimando em espaços felizes. De que falam estes artigos.
Hygge. Desconheço a cultura dinamarquesa. Parece-me divinal. Do que leio do Hygge. Recantos confortáveis, lareiras e sensações. Coisas simples.
Sinto vontade de apanhar o primeiro avião para a terra dos Vikings. Colocar a manta de lã nas pernas enquanto leio um livro no meu hyggekrog. Diz-se assim.
Talvez seja este o fim último das revistas. Fazer-nos sonhar. Em terra lusa, da saudade e do fado. Da escassa atenção pelas Pessoas, pelas suas almas e sorrisos.
"Hyggemos" juntos! Os nossos sorrisos agradecem.
Texto escrito antes da pandemia. Mantém-se atual.

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