Tela em branco
- Palavras de Sol

- 14 de jul. de 2021
- 2 min de leitura
Há momentos assim. Questionamos tudo. O nosso propósito, o sentido da vida, os sonhos.
Não por não termos "tudo" mas exatamente por sentirmos que o "tudo" está muito cheio de "nadas".
Inevitavelmente vêm as questões. É suposto? Será isto a Vida?
Falamos com os amigos de sempre. Poderão dar-nos novas perspetivas. Contar-nos também a sua história. Reconfortam-nos pelo menos. Todos nós estamos na jornada.
Procuramos informação sobre o assunto. O que não falta são terapeutas especializados nas boas práticas de viver uma vida com propósito. Lemos o que escrevem, aplicamos algumas ferramentas e o "nada" continua lá. Bem expandido, estando nós cada vez mais contraídos.
Vamos de terapia em terapia e a busca torna-se o motor de combustão que rapidamente deixa de trabalhar. Falta a gasolina da Alma.
Quando estamos verdadeiramente derreados, há somente algo que nos pode impulsionar e tirar do lodo: a nossa força interior. Dificílimo. Muitas vezes nem sabemos que a nossa força é tão capaz e forte mas ela está lá. Bem escondida. O grande desafio é encontrá-la quando nos sentimos incapazes e fracos. Dando pequenos passos, com carinho por nós e abraçando cada conquista.
Se não formos nós a querer criar uma nova realidade, não serão os familiares, os terapeutas, os amigos a fazê-lo. Não por não estarem empenhados mas porque pura e simplesmente eles não são nós.
Claro que ter uma rede de apoio ajuda muito mas desenganem-se: o "tudo" que queremos cheio de alegria, paz e amor é o nosso "tudo". O que seria darem-nos um "tudo" em modelo estandardizado? Não resultaria. Faltaria sempre o nosso toque, o nosso gosto, a nossa chama. É a nossa Vida, a nossa tela.
Somos responsáveis por pegar na tela suja de caos, limpá-la com consistência, vigor e muito amor, deixá-la em branco, respirar, ouvir o coração que nunca nos mente e começar a pintar. Podem sair rabiscos, quadrados nervosos ou apenas traços sem nexo. Não importa. O desafio é continuar a pintar. Dia após dia. Acolhendo cada pincelada e apreciando a singela pintura que suada e em lágrimas vai gradualmente brotando da lama tal flor de lótus na sua majestosa plenitude.

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